Sintomas

Queda de cabelo: causas e quais exames pedir

Seu cabelo está caindo mais do que o normal e você não sabe se pede um exame de sangue, vai ao dermatologista ou espera. Os três exames que costumam ser revisados (ferritina, TSH, hemograma), a linha do tempo que explica a maioria dos casos e como registrar.

SintomasPublicado em 18 de outubro de 2026Atualizado em 21 de outubro de 20268 min de leitura
Escrito por
Oleg Kainara
Fundador da Previva

Empreendedor visionário que impulsiona a inovação na interseção entre saúde, inteligência artificial e diagnóstico global. Autor das metodologias da Previva. Trabalha há muitos anos em medicina preventiva, longevidade e detecção precoce de doenças. Escreve a partir da sua experiência e da sua visão.

Revisado por
Em revisão médica

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Ideias principais

  • A queda difusa que começa de repente costuma ser eflúvio telógeno: o cabelo entra em repouso dois ou três meses depois de um gatilho (febre alta, cirurgia, parto, dieta restrita, estresse) e cai em bloco.
  • Três exames cobrem quase todas as causas que o sangue pode mostrar: ferritina, TSH e hemograma completo. Os hormônios são pedidos só quando há sinais que justifiquem.
  • A ferritina pode estar baixa com uma hemoglobina normal; pedir só o hemograma deixa de fora a pergunta mais frequente.
  • O dado que mais falta na consulta não é um exame: é a data em que a queda começou e o que aconteceu nos meses anteriores.

Há um momento em que você para de pensar “é normal” e começa a contar os fios no travesseiro. A primeira reação costuma ser uma de duas: pedir um exame de sangue de tudo ou comprar um xampu. As duas pulam o passo que mais informação dá, que é datar a queda e olhar o que aconteceu antes.

Este texto explica os tipos de queda que convém distinguir, os três exames que de fato respondem perguntas, quando o dermatologista vem antes do laboratório e como registrar a queda para que a consulta não termine em “vamos ver como evolui”.

Primeiro, que tipo de queda é

Perder cabelo é normal: o número que os dermatologistas costumam citar é de 50 a 100 fios por dia, porque cada folículo passa por ciclos de crescimento, repouso e queda. O que distingue um problema não é só a quantidade, é o padrão. A Academia Americana de Dermatologia separa vários tipos com causas e manejo diferentes,[1] e para quem está começando a investigar bastam três grupos:

Como se vêComo costuma se chamarPrimeiro passo
Queda difusa, pela cabeça toda, mais cabelo no travesseiro e no banho, o couro cabeludo parece igualEflúvio telógenoLinha do tempo e três exames de sangue
O cabelo afina no topo da cabeça ou as entradas recuam, de forma gradual, às vezes com histórico familiarAlopecia androgenética (padrão feminino ou masculino)Dermatologista; exames hormonais conforme sintomas
Falhas redondas sem cabelo, ou queda com coceira, dor, crostas ou vermelhidãoAlopecia areata, alopecias cicatriciais e outrasDermatologista diretamente, sem esperar
Se a queda é em falhas, ou vem com coceira, dor, crostas ou vermelhidão do couro cabeludo, o resto deste texto não se aplica: o dermatologista vem primeiro e logo. Algumas dessas formas deixam cicatriz se tratadas tarde.

A linha do tempo: por que o cabelo cai dois ou três meses depois

A queda difusa mais frequente se chama eflúvio telógeno. O mecanismo é simples: um gatilho forte empurra muitos folículos ao mesmo tempo para a fase de repouso, e o cabelo em repouso cai cerca de dois ou três meses depois.[2] Por isso a queda parece vir do nada: quando você a nota, o gatilho já passou e ninguém relaciona.

Os gatilhos habituais são uma febre alta ou uma infecção importante (incluindo as respiratórias que derrubam por uma semana), uma cirurgia, um parto, uma dieta restrita ou uma perda rápida de peso, o início ou a retirada de alguns remédios e uma fase de estresse intenso. Na maioria dos casos o episódio se fecha sozinho em alguns meses, quando os folículos voltam a crescer.[2] O que pode prolongá-lo é haver, além disso, falta de ferro ou uma tireoide lenta: por isso os três exames abaixo valem a pena mesmo que o gatilho seja evidente.

O exercício prático: pegue a data em que começou a notar a queda e olhe o que aconteceu dois, três e quatro meses antes. Se ali há um gatilho, você já tem a hipótese principal, e a consulta muda de “o que eu tenho?” para “isso bate com o que vivi em julho?”.

Os três exames que respondem perguntas

Com uma queda difusa sem sinais de alarme, o laboratório serve para três perguntas concretas. Um perfil “de tudo” não acrescenta respostas, acrescenta valores marcados que distraem.

Ferritina: as reservas de ferro

É a pergunta mais frequente e a que mais vezes fica sem ser feita, porque se pede hemograma e não ferritina. A hemoglobina é a última coisa a baixar quando falta ferro; antes se esvaziam as reservas, e é isso que a ferritina mede. A OMS fixa o corte de reservas esgotadas em adultos saudáveis em 15 µg/L,[4] e na prática clínica muitos médicos consideram sugestivo de deficiência qualquer valor abaixo de 30 µg/L.[5] A relação entre ferro baixo e queda de cabelo está descrita há anos, embora a evidência não baste para recomendar medir ferro em todas as pessoas com queda: mede-se quando o quadro sugere,[3] e o quadro sugere com cansaço, falta de ar ao esforço, unhas frágeis, menstruação abundante ou uma dieta pobre em ferro.

TSH: a tireoide

O cabelo fino, quebradiço e que cai é um dos sinais que as diretrizes associam a uma tireoide que trabalha devagar, junto com cansaço, frio, pele seca, prisão de ventre e mudanças de peso.[6] Um único exame, o TSH, responde à primeira pergunta; se vier alterado, seu médico decidirá se acrescenta T4 livre e anticorpos. A queda por tireoide costuma ser gradual e acompanhada: se o cabelo é a única coisa que mudou, a tireoide é menos provável, mas o exame é barato e descarta.

Hemograma completo: a foto geral

Confirma ou descarta anemia e dá contexto ao resto. Se há anemia junto com a ferritina baixa, a hipótese do ferro se reforça; se a hemoglobina está bem e a ferritina baixa, continua sendo ferro, só que numa fase anterior.

E as vitaminas, o zinco, a biotina

A revisão mais citada sobre micronutrientes e queda de cabelo conclui algo pouco popular: fora das deficiências claras (ferro, em alguns casos vitamina D ou zinco em dietas muito restritivas), a evidência de que um suplemento freie a queda em pessoas sem deficiência é fraca, e a biotina só ajuda quando falta, o que é raro.[7] Um detalhe prático: a biotina em doses altas pode alterar vários exames de laboratório, inclusive o TSH. Se você toma suplementos, avise o laboratório e o seu médico, e suspenda-os nos dias anteriores se for orientado.

Quando os hormônios entram na lista

Os exames hormonais não são pedidos “pela queda”: são pedidos pelo que a acompanha. Em mulheres, um cabelo que afina no topo da cabeça junto com acne, pelos no rosto ou no corpo e ciclos irregulares ou ausentes aponta para um excesso de andrógenos, e a diretriz internacional sobre síndrome dos ovários policísticos inclui a queda de cabelo de padrão masculino entre os sinais clínicos a avaliar.[8] Nesse caso o médico decide o que medir e em que dia do ciclo, porque vários hormônios mudam ao longo do mês e um valor sem data de ciclo não pode ser lido. Em homens, o afinamento gradual no topo e nas entradas com histórico familiar é quase sempre padrão androgenético, e o diagnóstico é clínico: o dermatologista vê sem sangue.

Como registrar a queda para que a consulta seja útil

“Meu cabelo está caindo muito” é difícil de avaliar em vinte minutos de consulta. Quatro coisas tornam isso mensurável:

  1. Data de início da queda, mesmo aproximada, e o que aconteceu nos dois a quatro meses anteriores: febre, infecção, cirurgia, parto, dieta, remédios novos, estresse.
  2. Fotos do topo da cabeça, da linha frontal e da risca, uma por mês, com a mesma luz e a mesma distância. É a única forma de ver se melhora.
  3. Quanto cai: um teste caseiro que os dermatologistas usam é contar o cabelo que fica na mão ao passar os dedos por uma mecha desde a raiz; se ficam vários a cada vez, a queda está ativa.
  4. O que acompanha: cansaço, frio, mudanças de peso, ciclo, dieta, suplementos. É o que decide quais exames pedir.

Com isso e os três exames, a primeira consulta costuma fechar com uma hipótese e um prazo para revisar, em vez de um “vamos ver como vai”.

O que está por trás da sua queda de cabelo? Sete perguntas para orientar o que revisar

Não é um diagnóstico: organiza o que você já sabe e deixa uma lista de exames e registros para levar à consulta. Se a queda é em falhas redondas, com coceira, dor ou crostas no couro cabeludo, não precisa de quiz: é consulta com dermatologista.

Pergunta 1 de 7

Como é a queda?

Este quiz orienta sobre o que medir e o que conversar com seu médico. Não é um diagnóstico nem substitui uma consulta. Suas respostas não saem do seu navegador.

Perguntas frequentes

Quais exames de sangue pedir por queda de cabelo?

Para uma queda difusa sem sinais de alarme, os três que respondem perguntas são ferritina, TSH e hemograma completo. Os exames hormonais são pedidos quando há sinais que justifiquem (acne, pelos, ciclos irregulares, afinamento no topo da cabeça), e a lista final é do seu médico.

Posso ter falta de ferro se minha hemoglobina é normal?

Sim. As reservas de ferro, que a ferritina mede, se esgotam antes de a hemoglobina baixar. A OMS situa o corte de reservas esgotadas em 15 µg/L em adultos saudáveis, e muitos médicos consideram sugestivo de deficiência qualquer valor abaixo de 30 µg/L.

Quanto tempo o cabelo leva para voltar a crescer depois de um eflúvio telógeno?

A queda costuma começar dois ou três meses depois do gatilho e, se o gatilho já passou, o episódio tende a se fechar sozinho em alguns meses, quando os folículos retomam o crescimento. Se se prolonga, convém revisar ferro e tireoide e consultar o dermatologista.

Quando ir ao dermatologista sem esperar?

Quando a queda é em falhas redondas, ou vem com coceira, dor, crostas ou vermelhidão do couro cabeludo. Algumas dessas formas deixam cicatriz se tratadas tarde, então nesses casos o dermatologista vem antes de qualquer exame de sangue.

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Oleg Kainara
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Este conteúdo é informativo e de prevenção. Não constitui diagnóstico médico nem substitui a consulta com profissionais de saúde. Em caso de dúvida sobre seus resultados, converse com seu médico.